A dor da perda, o sofrimento de uma despedida que nem deveria existir, foram amores trocados, cartas rasgadas, fotografias deslaçaradas, palavras caladas de um amor tão forte e ao mesmo tempo tão doloroso de uma história que desconheceu o seu próprio final, que desconheceu o fim a que os personagens chegaram. As lágrimas escorriam pela face dos dois no meio da noite, no meio da neblina daquele local tão mágico mas ao mesmo tempo tão sofrido, tão desprovido de um amor que ali estava a padecer, que ali começava a desvanecer entre as pedras da calçada, entre as tábuas de um pontão à beira rio. Foram simples instantes sufocantes, foram segundos em que o tempo parou e que a força de cada um de nós não conseguia mover os ponteiros de um relógio estagnado, de um relógio que ali permanecia tão constante ou até mesmo inconstante no meio da noite. Tudo era desconhecido, o sabor dos lábios, o rasgar da pele, o desejo carnal, o sentimento ali depositado, viramos assim as costas e partimos, cada um com as suas malas, cada qual com o coração ferido por um desejo reprimido, por um destino dividido. O passado prendeu-nos, condenou-nos mais uma vez, a ti porque apenas não te consegues dissociar dele e a mim porque perco as forças de arriscar sempre que a vida me mostra uma barreira, me mostra mais uma pedra no caminho. A recordação permanece e disso não tenho qualquer dúvida, o cheiro de um rio, o calor de um corpo, o sorriso verdadeiro, um olhar envergonhado, tudo tão simples, tudo tão verdadeiro. Apenas sei que não consigo sentir mais nada por ti sem ser amor, apenas quero te esquecer mas a recordação invade-me a todo o dia, a toda a hora. Preferia esquecer-te mas ao mesmo tempo adoro recordar-te, isso dá-me vida, isso enche-me daquilo que de mais puro há, ou seja, o amor...

Especial e Verdadeiro...

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