A noite é mais fria aqui fora. A solidão é maior quando decido ficar só, não se tem alguém pra conversar, quando os olhos dão a volta no mundo e não vêem ninguém, o computador está desligado, decido não atender ao telefone.
O silencio toma conta dos meus ouvidos, minha mente flutua, mergulha, em um mar de pensamentos.
O barulho torna explodir meus ouvidos. O telefone parece cansar de tocar, dois minutos e ele continua. A TV distante insiste em querer me contar sobre as tragédias, os erros cometidos por pessoas estranhas. Os carros dominam as ruas, fazendo os pneus brigarem com o chão. Mas nenhum desses barulhos é tão pior que as vozes que falam, gritam, brigam com minha consciência.
As tentativas de acalmar minha cabeça são todas em vão, ela parece querer me fazer louca com tantas coisas a serem decididas.
O corpo entra em conflito com a minha mente. E para tentar vencê-la, a esmaga, tenta sufocá-la, meus olhos quase saem do lugar de tanta dor sem razão.
A emoção tenta controlar tudo entra na disputa, faz as vozes gritarem ainda mais, o volume de seus devaneios parecem aumentar a cada segundo.
Agora a emoção faz-se dona da razão, a razão faz-se dona do meu corpo.
Paralisada fico, tantas coisas estão acontecendo, coisas essas que me dão ora alegria, ora tristeza, ora amor, ora dor.
Submeto-me a inércia enfim.
Mundo cale-se! Ao menos um minuto.
Vozes da razão, emoção e consciência, façam silencio, deixe-me em paz um, dois minutos. Imaginação de um mundo melhor deixe-me, abandone-me, façam me viver sem essa tal decepção.
Concluo por fim que resta só a mim. O mundo vazio é bonito, a vida sem sofrimento é triste, o rosto sem uma lágrima antes de um sorriso não significa nada, a vida sem tristeza não encontra alegria, o céu sem escuridão não é bonito, quando vejo tudo isso daqui.

Autoria: Carine Ueda

No tão desejado silencio

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