Um dia você disse
Que as histórias são para os tolos
Que não existe um príncipe encantado
Muito menos uma princesa adormecida.
Um dia você disse
Que o amor nos presenteia uma chama
E que no silêncio de um beijo ela clama
O que é dela por direito
Assim, consome até o fim o sujeito.
Um dia você disse
Que tinha um espinho ficando no coração
Doía aquela ferida por estar aberta a razão
E agora, eu lhe pergunto
Você quer esmurrar esta faca de dois gumes?
Você tem certeza de onde vai pisar?
Você tem certeza do que pode esperar?
Você tem certeza que sabe o que pode perder?
Você tem certeza da certeza que é o que se vive no instante?
Agora, eu lhe pergunto
Sou eu o dono do palco deste monologo
Silêncio! Peço a todos
Pois o que trago nos lábios
É a verdade proclamada em silêncio
Do amor dos loucos poetas
Que se tomam a distância
Ó triste punhal que trazes no fio o sangue do poeta
Miserável até mesmo para amar
Teu coração, um barco sem remo jogado ao mar
Atracando em qualquer ilha que possa por enquanto se salvar
Ó ser ilustre e inflado de palavras
Trazes nos lábios os sentimentos que tanto buscamos
Mas no coração um vazio que não enxergamos
Dizes poeta da certeza
Qual perspectiva que tens do dia seguinte?
Estaria em um quarto ao lado da mulher amada?
Estaria num beco escuro e pútrido ao lado de uma lata?
Ou estaria perdido no comodismo das palavras perdidas?
E o poeta respondeu:
Sois tolo por amar, e seria mais por não amar
Pois, mesmo como dizes, platônico é a palavra certa
Somente os loucos podem amar
E não há distância, não há lugar
Existe uma lua que pode nos ligar e nos confortar
Pois quando avistarmos a lua, saberemos que ambos estamos olhando para o mesmo lugar.
E esta é a certeza que tudo que nos divide é apenas matéria.

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